CÃES – SÍNDROME DA CAUDA EQUINA

O Pastor Alemão é uma das maiores vítimas desta Síndrome,mas não é exclusividade da raça,animais de qualquer porte(mais comum nos grandes) podem ser atingidos.
A dor e o incomodo podem levar alguns a auto-mutilação da cauda,períneo,genitália e membros.
Segue um texto que explica como e porque esta Síndrome atinge alguns cães e (raramente) gatos


A  cauda equina é um “conjunto de nervos” que fica logo após o término da medula propriamente dita. Alguns dos nervos periféricos que formam a cauda equina e que tem importância clínica são os nervos isquiáticos (L6-L7-S1); nervos pudendos (S2 e S3); nervos pélvicos (S2 e S3) e nervos caudais (Cc1 a Cc5). Alguns estudos demonstraram que as articulações lombossacrais possuem mais mobilidade do que outras articulações da coluna, o que pode influenciar a maior incidência de doenças degenerativas nessa região.




A síndrome da cauda equina (SCE) também pode ser chamada de estenose do canal vertebral lombossacro, instabilidade lombossacra, entre outros. A estenose do canal vertebral é uma designação que abrange vários distúrbios que resultam em estreitamento do canal vertebral lombossacro, o que acarreta em compressão da cauda equina. O temo SCE descreve um grupo de sinais neurológicos que resultam de compressão, destruição ou deslocamento das raízes nervosas e dos nervos espinhais que formam a cauda equina por várias causas (incluindo estenose do canal vertebral lombossacro).


A  cauda equina é um “conjunto de nervos” que fica logo após o término da medula propriamente dita. Alguns dos nervos periféricos que formam a cauda equina e que tem importância clínica são os nervos isquiáticos (L6-L7-S1); nervos pudendos (S2 e S3); nervos pélvicos (S2 e S3) e nervos caudais (Cc1 a Cc5). Alguns estudos demonstraram que as articulações lombossacrais possuem mais mobilidade do que outras articulações da coluna, o que pode influenciar a maior incidência de doenças degenerativas nessa região.
Radiografia de um cão. Localização das vértebras L7 e S1. Fonte: http://dc109.4shared.com/img/5rmQnn0s/preview.html
A estenose do canal vertebral lombossacro é um distúrbio adquirido de cães de raças de grande porte que resulta de todas ou várias das alterações que se seguem:
– Protrusão de disco tipo II (abaulamento dorsal do ânulo fibroso);
– Hipertrofia e/ou hiperplasia do ligamento interarqueado;
– Espessamento de arcos vertebrais ou facetas articulares ;
– Subluxação/instabilidade da junção lombossacra.
Nos cães, o problema encontrado com mais frequência é um “deslizamento” ventral do sacro com relação ao corpo da vértebra L7.


Em um estudo, 30% dos cães da raça Pastor Alemão que apresentavam sinais clínicos de compressão da cauda equina tinham anormalidades radiográficas e patológicas compatíveis com osteocondrose da placa terminal sacral. 

Sinais clínicos 
A SCE é mais comum em cães de grande porte, como o Pastor Alemão. Os machos podem ser mais acometidos que as fêmeas. Os cães que tem a forma congênita da doença, geralmente são de raças menores. 
Os cães acometidos, na maioria, tem entre 3 a 7 anos; porém a doença pode ocorrer em qualquer idade.

É uma doença rara nos gatos.

Os principais sinais clínicos incluem:
– Dor aparente à palpação da região lombossacra, à extenção caudal dos membros pélvicos ou quando o cão eleva a cauda;
– Dificuldade para levantar;
– Claudicação (mancar) em membro pélvico – geralmente de um lado só;
– Atrofia muscular dos membros pélvicos;
– Paresia da cauda;
– Desgaste dos dedos;

– Incontinência urinária e/ou fecal ou micção inadequada, pois o cão não consegue assumir a posição correta;

– Automutilação do períneo, da cauda ou dos membros pélvicos;
– Parafimose (raro).

Na maioria dos casos, os sinais clínicos vão progredindo com o decorrer do tempo. Podem facilmente ser confundidos com sinais de displasia coxofemoral ou mielopatia degenerativa.


No exame neurológico, há déficit da marcha que está relacionado com a paresia do nervo ciático (faz com que o cão arraste os dedos). Pode haver depressão ou ausência da propriocepção consciente (quando o cão não consegue virar a pata para a posição normal, veja figura) e os reflexos patelares normalmente estão normais ou exagerados. Reflexos de flexão ausentes ou diminuídos nos membros pélvicos; tônus anal e reflexos do esfíncter anal diminuídos; bexiga atônica; hipoestesia do períneo e da cauda e atrofia muscular.


Pastor Alemão- observe a pata virada


Cãe  com perda de propriocepção (pata “virada” para cima).



Diagnóstico


Exame de toque :Manipulação e hiperextensão da cauda faz com que tenha como resposta uma dor aguda. Os reflexos espinhais são testados,  para avaliar os primeiros sinais de pinçamento de raiz nervosa.



– O diagnóstico é fechado com base nos sinais clínicos que o animal apresenta, juntamente com a radiografia. 

– A radiografia simples pode determinar alterações importantes como diminuição de espaço entre L7-S1,  doença articular degenerativa nesse mesmo local, deslocamento ventral do sacro em relação a L7, entre várias outras.
Outros exames mais precisos, que fornecem informações que a radiografia simples não fornece são: 
tomografia linear, 
eletromiografia, 
radiografias contrastadas, 
mielografia, 
epidurografia, 
ressonância magnética, entre outros.



Tratamento

– Quando o cão apresenta sinais discretos ou quando o único problema é a dor lombossacra aparente, confinamento e exercícios com guia por 4-6 semanas geralmente melhoram com o passar do tempo. Pode-se usar analgésicos ou corticóides, sempre acompanhado pelo veterinário.

– Para os cães que recebem somente o tratamento clínico, os sinais podem recidivar. Quando a opção é por não fazer a cirurgia, a fisioterapia é essencial para manutenção do paciente. 


– Quando os sinais clínicos vão de moderados à grave (especialmente os que tem incontinência urinária/fecal) ou há recidiva, deve-se pensar em cirurgia descompressiva da cauda equina. 

– Pós Cirurgico: Os cães devem ser confinados por 2-4 semanas após a cirurgia. As complicações do pós operatório incluem seroma no local da cirurgia e cicatriz de laminectomia. Cães que passaram pela cirurgia, devem ter acompanhamento rigoroso do veterinário e controle da dor.
– Antes da cirurgia, quando há atonia vesical (bexiga não consegue liberar a urina), deve ser feito o esvaziamento manual da bexiga 3 vezes por dia.

Prognóstico:
– O prognóstico depende da gravidade dos sintomas antes da cirurgia. Pode-se esperar retorno normal das funções para cães que tinham sinais discretos antes da cirurgia. Cães com atonia vesical ou esfíncter anal flácido antes da cirurgia tem um prognóstico pior.

FISIOTERAPIA


A fisioterapia é imprescindível para cães que tem síndrome da cauda equina, especialmente àqueles que não irão passar pela cirurgia. 

– Para cães que fizeram cirurgia:
A fisioterapia aqui irá tratar especialmente a dor e os estímulos proprioceptivos. 
Mobilização articular passiva, massagem, estímulos como a escovação por exemplo. 
É usado o TENS para controle da dor, 
Laser para manutenção das articulações e também como antiinflamatório e para a dor. 
Ultrassom terapêutico (UST) também pode ser usado antes dos alongamentos.

TENS

 Para cães que não fizeram cirurgia:

Aqui a fisioterapia é muito importante e não deve ser deixada de lado. Irá manter o cão sem dor e fazer muitos estímulos proprioceptivos, o que é fundamental no tratamento. 
Faz-se o uso de TENS (dor), 
Laser (dor e estímulos regenerativos), 
UST (para preparar a musculatura para o alongamento), 
escovação, massagem, mobilização passiva, pedalagem, entre outros. 
Quando o cão consegue andar e não demonstra dor, pode ser usada a pista de obstáculos (bem baixinho) para estimular a propriocepção do cão durante a marcha.
Referência: Tratado de medicina interna veterinária – Ettinger e Feldman, 2004.

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